sábado, 21 de junho de 2014

BEIJO DE INVERNO


Quero apenas cinco coisas
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser sem que me olhes
Abro mão da primavera
Para que continues me olhando.

–– adaptação livre do poema de Pablo Neruda “Pido silencio”.

Imagem: “Rain lovers”, grafite do
artista australiano Loui Jover.


Retirado do facebook do site http://semioticas1.blogspot.com.br/

terça-feira, 3 de junho de 2014

É TEMPO DE VIVER SEM MEDO

"...Cada pessoa brilha com luz própria, entre todas as outras
Existem fogos grandes e fogos pequenos e fogos de todas as cores
Existe gente de fogo sereno, que nem fica sabendo do vento
E existe gente de fogo loco, que enche o ar de faíscas
Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam
Mas outros...
Outros ardem a vida com tanta vontade 
Que não se pode olhá-los sem pestanejar
E quem se aproxima se incendeia" 
Eduardo Galeano


segunda-feira, 2 de junho de 2014

MOMENTOS



Musica tem o incrível poder de fazer-nos lembrar de momentos, sensações, pessoas, lugares e até cheiros. Hoje, mergulhado na melodia de uma, lembrei de um lugar incrível e dos momentos magníficos que vivi ali quase todas as tardes. Não era um lugar exuberante, daqueles que todos desejam conhecer, com belas paisagens ou incríveis estruturas, era apenas uma quadra, antiga, com uma cesta de basquete, não havia absolutamente nada de especial, mas era o meu lugar favorito no mundo e onde eu desejava estar todas as tardes.

Havia neste lugar, uma árvore daquelas bem altas e com um copa densa, lustrosa e que oferecia uma sombra irresistível. Sempre que terminava de jogar, fim de tarde, colocava o fone no ouvido, deitava debaixo dela e já não conseguia sentir nada ao meu redor, era apenas eu, a música, aquela árvore, e o sentimento de estar no lugar mais seguro do mundo. Sentia paz, uma sensação incrível de liberdade, de fé, de acreditar nas coisas boas da vida. Um brisa sobrenatural envolvia aquele lugar, me perdia em mim mesmo, mas era uma espécie de se perder para encontrar o verdadeiro eu no profundo da alma, e de repente, me encontrava rindo e depois, aquelas sensações me levavam a pensar naquilo que mais fazia sentido na minha existência, família, amigos, ideais, utopias e momentos como aquele. O canto dos pássaros era mágico, tirava o fone do ouvido e admirava o som produzido de forma tão singela, era como um canto de agradecimento ao Criador por mais um dia de vida.
 Lembrava de Adão no jardim, sempre imaginava-o deitado debaixo de uma árvore, daquelas que oferece uma irrecusável sombra fresca, e no final da tarde, ao som dos cantos dos pássaros e do sopro suave do vento, encontrava com o Divino. Penso que este era o momento favorito dele, e todos os dias, esperava por ele como se fosse o último momento que teria a oportunidade de vivenciar aquilo. Ele, a natureza, o criador, o encontro, a paz, o viver transformador e a alegria.
Hoje senti saudades daquele lugar e desejei voltar para vivenciar aquilo de novo, mas também, lembrei  que lugares e momentos como este, cercam o nosso dia a dia, não exatamente da mesma forma como acontecia ali, naquela quadra, debaixo daquela árvore, mas tão incríveis quanto, basta estarmos atentos e fazer dos momentos e ao lado de pessoas especiais, experiências divinas. Lembrei das belas palavras de Rubem Alves:"Cada momento de alegria, cada instante efêmero de beleza, cada minuto de amor, são razões suficientes para uma vida inteira. A beleza de um único momento vale a pena de todos os sofrimentos."
A propósito, o lugar era este


E esta é a música que me fez resgatar estes momentos.


Felippe Ramos do Nascimento


O QUE IMPORTA?



"Importa na vida é ser feliz. E a felicidade não resulta da soma de prazeres nem do acúmulo de bens. É fruto do sentido que se imprime à existência."
Frei Betto